22 de novembro de 2014

O Espaço Núcleo nasce com a estréia de O Burguês Nobre

Foram dois anos de muito empenho e de muito esforço para, finalmente, o NUO possuir o seu lugar! Nosso espaço é simples, rústico, charmoso e aconchegante é, enfim, a cara do NUO  :)

O Espaço Núcleo será um espaço multimídia, com capacidade para 80 lugares, próprio para representações teatrais, palestras, recitais, cursos, etc. A partir de 2015 estará disponível para outros grupos, mas como é, antes de mais nada, a  tão sonhada sede do NUO, nada pareceu mais apropriado para comemorar este momento do que estrear nele a obra de Molière, Le Bourgeois Gentilhomme. 

Nesses tempos difíceis em que a área cultural encontra cada vez mais empecilhos para o desenvolvimento livre, e num tempo em que a cultura tende à massificação, é um privilégio para um grupo independente possuir seu próprio espaço.

O Espaço Núcleo é do NUO e do público que nos acompanha e é uma passo a frente na história do grupo: um grito de completa independência que compartilharemos com todos vocês a partir do dia 29 de novembro 

NUO FOREVER!









18 de agosto de 2014


Le Bourgeois Gentilhomme estréia na sede do NUO em novembro.

 

A próxima produção do NUO, que estreia em novembro  será Le Bourgeois Gentilhomme peça de Molière. O texto, criado em 1670, teve as canções e danças compostas por Jean Baptiste Lully.

O Burguês Nobre, como optamos por traduzir para a língua portuguesa, satiriza as tentativas de ascenção social e a personalidade burguesa, ridicularizando tanto a classe média vulgar e pretensiosa quanto a esnobe e vaidosa aristocracia. O título é um paradoxo; na França de Molière, um "gentilhomme" ("cavalheiro") era, por definição, nascido nobre e, portanto, não era possível a existência de um cavalheiro burguês.

Trata-se de um humor inteligente e ao mesmo tempo muito acessível, com a música ousada e deliciosa de Lully.

Nesta versão do NUO os diálogos são em português e as canções cantadas no original em francês com a projeção de legendas.

Os figurinos remetem a época, mas estilizados. A estreia acontecerá na sede do NUO.

Não Percam

24 de março de 2014

Já com saudades...

nos despedimos da Ópera do Mendigo apresentada no B_arco
As récitas lotadas nos ajudaram a celebrar uma nova fase!
Agora é arrumar a nossa casa prá recebermos o público em outubro, quando apresentaremos a nossa nova montagem!
Imagens: Luciano Osorio

18 de janeiro de 2014

A Ópera do Mendigo - sucesso que volta em 2014

Em março o NUO levará A Ópera do Mendigo mais uma vez para a cena. Depois de termos os ingressos esgotados em dezembro nós esperamos o mesmo sucesso no Centro Cultural B_arco, um lugar incrível que tem tudo a ver com a nossa concepção para a montagem!
Imagine só a nossa animação: faremos mais 4 dias de apresentação de um trabalho que adoramos encenar, num lugar incrível e que, de quebra, será ensaiado no nosso espaço!!!! Pense na energia e no gás com que nós vamos chegar!!!! Programe-se, reserve um espaço na sua agenda cultural para logo depois do carnaval!E aproveite para já conhecer o Centro Cultural B_arco em http://barco.art.br

Beggar's Opera na sala Crisantempo

A montagem do NUO para a Ópera do Mendigo levou à Sala Crisantempo 200 pessoas em dois dias = lotação esgotada!!!!! Claro que isso é motivo de muita alegria, mas querem saber o melhor? Estamos muito felizes com o modo como concebemos, encenamos e apresentamos esse trabalho: mais NUO do que esse, impossível! Ficou curioso? Queria ter visto?
No primeiro semestre de 2014 você terá mais uma chance!







9 de outubro de 2013

A ÓPERA DO MENDIGO

O NUO está no processo de criação de mais uma produção. Trata-se da ópera-balada The Beggar’s Opera (A Ópera do Mendigo), obra concebida pelo dramaturgo John Gay em 1724.
O texto, sempre muito atual, inspirou a famosa adaptação de Bertolt Brecht com o título de Ópera dos Três Vinténs.
A ideia de John Gay foi escrever uma peça teatral intercalada por canções bem populares da época, incluindo Arias de Purcell  e canções folclóricas, escocesas, irlandesas e inglesas. Essa ideia deu um charme todo especial à obra que, desde então, teve várias versões e adaptações. Outro objetivo de John Gay foi fazer uma dura crítica à maneira de encenar ópera tanto em relação aos libretos e quanto à musicalização, sobretudo as árias Da Capo - isso em pleno início do século XVIII.
Para isso pediu ao amigo, o compositor  Johann Pepush, que selecionasse uma série de canções famosas na época. Gay  escreveu novos poemas para essas canções e tirou todas as repetições fazendo, assim, que os diálogos se intercalassem às músicas de maneira a não comprometer o ritmo cênico.
O resultado vocês verão em breve com a performance do NUO  para a Ópera do Mendigo.
Não percam !!

20 de janeiro de 2013

King Arthur – a palavra e a música na ópera inglesa (parte I)

Em 1691 estreava King Arthur de Henry Purcell, considerada por muitos especialistas como a grande obra prima dramática do compositor britânico. Curiosamente King Arthur foi criada anos depois de Dido e Aeneas , a mais popular obra de Purcell. Também é curiosa a grande distância que há, do ponto de vista formal e conteúdo, entre as duas obras. Dido e Aeneas foi a única ópera composta por Purcell que seguiu os padrões da ópera italiana, que  ditou, digamos assim, o estilo da ópera barroca.

Purcell entendeu que a música dramática não deveria ter, necessariamente, recitativos, assim como não seria necessário utilizar personagens mitológicos e sagrados. Não restam dúvidas de que esse entendimento foi influenciado pelas longas conversas entre Purcell e o poeta John Dryden, que escreveria o libreto de King Arthur. Purcell foi o criador da prosódia inglesa no recitativo, mas, ao mesmo tempo, não se sentia seguro sobre a eficiência dramática do seu uso. Dryden convenceu Purcell a escrever uma ópera na qual as canções eram intercaladas com diálogos , ao invés do recitativo cantado, o que deu origem ao que foi chamado de “semi-ópera”. Essa denominação atendeu aos críticos e intelectuais da época que insistiam em dizer que o os diálogos descaracterizavam o gênero ópera. Purcell não parece não ter se importado com isso e depois compôs Fairy Queen, A Tempestade e The Indian Queen, seguindo o mesmo caminho da chamada “semi-ópera”.

É importante colocar é que a decisão de Purcell está voltada principalmente a uma preocupação  do conteúdo dramático da obra. A palavra e a música, igual para igual, essa era a sua intenção. Infelizmente Purcell e Dryden não tinham à disposição cantores com experiência teatral necessária para a representação das suas obras e por esta razão a solução foi dar a parte dos personagens principais para atores enquanto aos cantores cabia, paralelamente, comentar a cena. Hoje em dia isso pode e deve ser mudado, pois o cantor de ópera tem obrigação de possuir essa experiência teatral que os personagens exigem.

Em junho estrearemos a versão do NUO para King Arthur. A obra será adaptada justamente para que cantores e atores sejam um só. Estamos fazendo cortes, mudando a ordem das canções, adaptando os diálogos, tudo para que King Arthur tenha a carga dramática que a obra merece e como acreditamos que Purcell e Dryden gostariam.


Será emocionante!!!! Aguardem...

25 de julho de 2012

"Os Gondoleiros" encerrou a temporada 2012 do NUO e foi assistido por 480 pessoas na única récita realizada no dia  21 de outubro as 17:00 no auditório Simón Bolívar do
  Memorial da América Latina. Público novo, animado e empolgado viu a uma das mais engraçadas produções do NUO para uma obra de Gilbert e Sullivan. No palco um espetáculo impecável! 
Fechamos lindamente 2012!!!!!
No próximo ano muitas novidades. Expectativas a mil!!!!!

Os Gondoleiros retorna!!!

Em outubro o NUO volta com "Os Gondoleiros".
Esta é a nona montagem do NUO dedicada à obra da dupla britânica. Desta vez, a companhia faz um espetáculo ainda mais ousado utilizando 25 bonecos em cena que são manipulados no palco pelos cantores-atores. As cenas musicais em inglês (legendadas) são intercaladas por diálogos em português, muito bem construídos e cômicos: características que sempre fizeram jus à reputação dos autores.


Os Gondoleiros foi uma das últimas criações de Gilbert e Sullivan, artistas que dominaram o meio musical britânico, entre os anos de 1875 e 1896, com suas divertidas operetas que fazem até hoje grande sucesso onde quer que sejam montadas. Composta em 1889, Os Gondoleiros foi uma das óperas de maior sucesso da dupla com mais de 500 récitas consecutivas no Teatro Savoy, em Londres.

O enredo

A história de Os Gondoleiros é ambientada na Veneza do século XVIII, mas traz referências claras da realidade da Inglaterra Vitoriana na qual os autores viveram. No enredo, os irmãos Marco e Giuseppe são gondoleiros que decidem escolher suas noivas em um jogo de cabra cega. Enquanto isso, o Duque de Plaza Toro, um nobre desprovido de dinheiro, chega à Veneza, acompanhado da esposa, do criado Luis e da filha Casilda. Desde a infância, a jovem Casilda é noiva prometida do herdeiro do Reino de Barataria, cujo paradeiro é desconhecido. Mas o terrível inquisitor Don Alhambra Del Bolero acredita que o herdeiro perdido seja um dos irmãos gondoleiros. Dante desta possibilidade, Luis e Casilda ficam extremamente preocupados, pois estão apaixonados um pelo outro.

Este é o argumento que abre caminho para uma série de qüiproquós da pitoresca história, onde os diálogos são carregados de humor. Nesta opereta, as composições de Sullivan trazem novos elementos para enriquecer a atmosfera cômica do espetáculo: ele lança mão de recursos musicais de “sabor” italiano e espanhol para criar a ambientação veneziana e do Reino de Barataria, fazendo desta uma das partituras mais belas e bem orquestradas do autor.

1 de julho de 2012

"Ninguém esperava..."

...essa foi a frase que eu ouvi de um dos responsáveis pela bilheteria do SESC Bom Retiro no início das últimas apresentações da temporada de Fairy Queen.. Ele confessou que todos do SESC estavam muito felizes. E o que ninguém esperava? O público. Já naquele dia os lugares para as récitas de sexta, sábado e domingo estavam sendo muito disputados, depois de um final de semana anterior de grande público. Cerca de mil pessoas passaram pelo belíssimo teatro daquela unidade - e dizemos isso usando um verbo no passado, pois hoje entraremos para o nosso último dia com a casa lotada! Não há mais nenhum ingresso a disposição. Isso mostra um conjunto de coisas das quais destacamos duas: primeiro a ópera é um espetáculo acessível. Nossa montagem tem 2h10 de duração, título desconhecido, elenco jovem e também desconhecido do grande público e nada disso foi obstáculo para as pessoas irem até lá, buscando e recomendando o espetáculo. Na obra, momentos "silenciosos", de extrema quietude e concentração são alternados por um humor requintado e o público interagiu compenetrado, dedicado à apreciação. Outra questão que se mostra é a certeza de que um espetáculo consistente, integral, inédito, com boa encenação e com uma preocupação teatral genuína leva as pessoas à platéia e permite a formação de um novo público.


Para nós, lotarmos o SESC era praticamente uma certeza. Por anos uma certa resistência ao gênero fez com que não conseguíssemos o intento de nos apresentarmos em teatros do circuito. Não desistimos. Fomos a espaços alternativos e, literalmente, usamos todos os recursos para mantermos o trabalho vivo. O que poderia parecer uma demora pelo reconhecimento daquilo que para nós é certo foi tomado como um período de desenvolvimento e aprendizagem. Paciência e trabalho foram as nossas maiores tarefas. Por isso, acreditamos que nós chegamos no SESC na hora exata! Com um espetáculo belíssimo, bem encenado, com  uma direção de arte criativa e precisa e, mais do que isso, com uma companhia composta por artistas dispostos a treinarem intensivamente para fazerem o possível em favor da encenação da obra. Estamos felizes, realizados, orgulhosos do nosso feito, nós e o SESC Bom Retiro. Fechamos um semestre de muito trabalho, muita alegria, muito companheirismo. De desenvolvimento, de portas se abrindo... olhando para trás cada dia de dificuldade, cada récita feita em dia de chuva torrencial (quando dependíamos da bilheteria), cada empecilho gerado pelos espaços ou pela cruel política cultural brasileira valeram a pena. E continuarão valendo, sempre! No segundo semestre retomaremos Os Gondoleiros, para que a maravilhosa montagem  que fizemos em 2011 possa encontrar um lugar bastante apropriado. Parabéns a todos os artistas e parabéns ao nosso público - o de sempre, fiel e companheiro e o novo, que se encantou com o trabalho! Nos veremos em breve!!!!!!NUO FOREVER!!!!!!!!!

26 de junho de 2012

Magnífica estréia

Nos dias 22,23 e 24 de junho aconteceram as 3 primeiras récitas de Fairy Queen, foi uma estréia perfeita, um ótimo público. Mostramos nosso trabalho e do que somos capazes. Temos mais 3 récitas para fecharmos o semestre com chave de platina...NUO FOREVER!!!

6 de junho de 2012

Muito mais do que ópera



A estréia de Fairy Queen está chegando e com ela mais um salto na originalidade do NUO como companhia de ópera que une teatro, música, dança e, desta vez, acrobacias e malabarismos. Tudo isso para dar um toque especial como fazemos em cada uma de nossas montagens, trazer à cena o diferente, o inesperado. Não percam esse espetáculo em que o NUO faz muito mais que simplesmente encenar ópera.

3 de março de 2012

Shakespeare, Purcell e a versão do NUO para Fairy Queen

Shakespeare começou a escrever Sonho de uma noite de verão por volta de 1590, na mesma época em que escrevia Romeu e Julieta. A peça teve sua estréia provavelmente em 1594 e foi um grande sucesso. Existem dois textos básicos que inspiraram a peça: Metamorfoses de autoria de Ovidio Naso, poeta da Roma antiga, onde está descrita em poesia a história de Píramo e Tisbe e O Asno de Ouro de Apuleius, do poeta Grego que narra a transformação de um homem em burro.

O fato de ter sido escrita na mesma época de Romeu e Julieta fez com que houvesse paralelos: não se pode deixar de comparar à história de Píramo e Tisbe que morrem por amor, assim como a relação proibida entre Hérmia e Lisandro.

Mas antes de tudo Sonho de Uma noite de verão é uma obra que foca em especial o universo feminino, já que as personagens femininas são fortes e lutam abertamente contra as normas: isso acontece com Hérmia, Helena, Titânia e por que não dizer com Hipólita.

Mas provavelmente o sucesso que esta obra faz até hoje, entre todas as faixas etárias, é o conteúdo de fantasia que se une à realidade. Os mundos das fadas e dos homens são,aqui, um só e essa coexistência é  plenamente aceita.

Cem anos depois da estréia de Sonho de uma noite de verão,  o compositor inglês Henry Purcell escreveu a música para uma adptação anônima da peça de Shakespeare. A adaptação da peça se perdeu, mas a música pemaneceu intacta. A ideia foi escrever uma série de canções e danças que entremeassem os diálogos, na maioria fiéis ao texto de Shakespeare, diferente das canções que tinham um texto livre, quase metafórico, em relação ao Sonho de uma noite de verão, dando origem, assim, a uma música incidental que se chamou na época de semi-ópera. - gênero que Purcell já havia feito antes com O Rei Arthur e em A Tempestade.

Nesta obra, uma das últimas escritas por Purcell, que morreu prematuramente aos 35 anos, provavelmente de tuberculose, o compositor teve, pela primeira vez,  um grupo profissional de cantores e instrumentistas a sua disposição, o que permitiu uma escrita de grande dificuldade técnica, muito além de, por exemplo, sua ópera Dido e Eneas.

De alguns anos para cá foram feitas montagens que demonstraram o quanto a ópera se completa com o texto de Shakespeare reforçando que a semi-ópera de Purcell só pode ser entendida em sua plenitude se montada desta forma. Todavia, essas adaptações apresentam três grupos distintos: atores fazem a peça de Shakespeare, cantores cantam as canções de Purcell e dançarinos atuam nas danças.

A proposta do NUO para esta montagem é unir essas três vertentes num único grupo. Mais um grande desafio para nossos integrantes. Além disso optei por uma movimentação mais “circense” nas danças introduzindo malabarismos e acrobacias, sobretudo nos trechos instrumentais.

Os ensaios já começaram e tem sido muito gratificante ver nosso grupo de atores–cantores e os instrumentistas envolvidos em tão complexa produção.

Tenho certeza de que o público vai gostar muito. E vai se encantar com o primoroso texto de Shakespeare e a belíssima música de Purcell.

7 de fevereiro de 2012

COMEÇOU

Hoje foi o primeiro ensaio da orquestra.
Já começamos felizes por nos envolvermos com algo tão diferente!
Quinta-feira retomamos com os cantores...

16 de janeiro de 2012

VAGAS PARA O PRIMEIRO SEMESTRE DE 2012

 O NUO abre vagas para vozes masculinas e para instrumentistas - violino e viola.
Tem interesse? Entre em contato pelo nuo-filarmonia@uol.com.br
Os testes para vozes masculinas acontecerão nos dias 2 e 3 de fevereiro das 19:00 às 20:30 na rua Santa Luzia 74 (metrô Liberdade).

5 de janeiro de 2012

Falando academicamente

No NUO nós muitas vezes problematizamos o nosso cotidiano levando as nossas vivências para o meio acadêmico, buscando ampliar as reflexões que sempre fazemos. Em 2011 eu apresentei um projeto de pesquisa à Fapesp que visa compreender qual é o papel do corpo na ópera, partindo da premissa de que no NUO optamos pela consideração do corpo como espaço de encenação. Esse tema, presente no teatro, especialmente na contemporaneidade, ainda é uma discussão distante da ópera, onde até a questão da atuação em si é recoberta por mitos. Neste artigo, publicado em dezembro de 2011 na Revista Sala Preta da ECA-USP, está o  primeiro passo da investigação - a problematização inicial - e nele estão retratadas as reflexões coletivas feitas com todo o grupo ao longo destes anos de trabalho na nossa companhia. Boa leitura! Comentários são bem vindos!
Marília


http://revistasalapreta.com.br/index.php/salapreta/article/view/361/381

31 de dezembro de 2011

2012

Mais um ano se vai... 2011 foi um ano de transição e de transformações para o NUO.
Tivemos 3 grandes desafios; primeiro, o de passar de um teatro de ópera para teatros do circuito teatral. Essa transição não foi fácil, eu sabia dos riscos, mas vi que essa mudança seria necessária para darmos o passo a frente. Nossa meta era mostrar que o NUO é mais do que um grupo formado por jovens para fazer ópera e também ratificar que nos distanciamos muito da maneira de se fazer ópera no Brasil; o NUO é um grupo de teatro, com atores que cantam, dançam e atuam (experiência que todo cantor de ópera deve ter, por sinal). Por essa razão as récitas, sobretudo no tradicional Teatro Maria Della Costa, foram muito importantes para a mídia nos considerar um grupo de teatro.


Provamos isso também com Prometheu, nosso grande desafio do primeiro semestre. Com a proposta de fazer uma ópera onde a movimentação fosse inspirada em François Delsarte e na técnica de Martha Graham, o resultado foi um impacto para o público que, assim, entrou na trágica trama do mito grego, percebendo o quanto a movimentação cênica tão fora dos padrões foi importante para contar esta história.


O terceiro grande desafio foi Os Gondoleiros. Há muito tempo eu queria que o nosso grupo de atores-cantores tivesse a experiência de manipular bonecos em cena e decidi que essa divertida e belíssima ópera de Gilbert e Sullivan seria perfeita para trabalharmos com bonecos. Os fantoches de tamanho natural deram ao grupo uma experiência nova, de grande dificuldade e proporcionou um resultado fora do comum.(vários que nos assistiram apontaram como a melhor produção do NUO). É bem provável que montemos novamente esta ópera no início de 2012.
Este novo ano que chega já vai nos oferecer mais um grande passo: a montagem de The Fairy Queen, uma semi-ópera de Henry Purcell que é para ser montada junto com a peça de Shakespeare, Sonho de uma noite de Verão. Será mais um grande desafio para o NUO. Para a orquestra será uma experiência que os instrumentistas vão levar consigo para sempre, por ser uma obra barroca, com uma sonoridade determinada e muito específica.
Para nossos atores-cantores, será o maior dos desafios até agora, pois sempre que esta obra é montada junto com a peça de Shakespeare os atores fazem o texto, os cantores cantam a música de Purcell e os dançarinos atuam nas várias danças escritas pelo compositor.
Nesta versão do NUO o nosso grupo fará as três coisas, incluindo técnicas circenses, pois minha proposta é que façamos uma ópera-circo com a obra de Shakespeare. São dezenas de solos e personagens...mas estou tranquilo, pois o NUO está pronto para mais esse desafio.
Com o grupo que nós temos tudo é possível!
Vamos ao trabalho...

23 de dezembro de 2011

"Hoje você é Hamlet, amanhã é figurante"...

...Constantin Stanislavski, ao se referir ao trabalho do seu grupo "Teatro de Arte de Moscou" e ao revezamento do elenco principal.